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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Remar


Já não sei dizer se ainda sei sentir. O meu coração já não me pertence, já não quer mais me obedecer! Parece agora estar tão cansado quanto eu. Até pensei que era mais por não saber que ainda sou capaz de acreditar. Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem. Às vezes faço planos, às vezes quero ir para algum país distante e voltar a ser feliz! Já não sei dizer o que aconteceu se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. Se meu desejo então já se realizou o que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim; Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica, o que for. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar.

Re-amar.





Caio Fernando Abreu'

sábado, 9 de outubro de 2010

Chuva de Novembro

Sozinho posso te ver melhor, quando se vai o sol, procuro o fio do seu cabelo no lençol. Baixei aquele filme que, c disse que era bom, e vi que nada é tão bom quando c não ta aqui. Um dia sem você é triste, uma semana é maldade. um mês não existe. Dou meus pulos, atravesso a cidade. Junto dinheiro pra financiar a viagem, uma bolacha, salgadinho, 2 "refri" e a passagem. Já era, já fui, me espera amor, vo atrasar mais 10 minutos, parar pra te comprar uma flor e to pronto, na melhor roupa que eu tenho. uma rosa na mão esquerda, na outra mão um cartão com desenho. Correndo pra rodoviária, o buso sai às 9. Desculpa o cartão molhado, é que novembro sempre chove à tarde. E hoje a chuva "tá" bolada, já me sentei, fiz minha oração, se Deus quiser, nem pega nada, vai. To indo sentado, vendo as montanha, lembrando que quanto mais você me perde, mais vezes você me ganha. E aquela briga ontem foi foda, eu não queria te dizer, que eu não queria ter você, mas eu queria que você soubesse que eu me importo. E que eu sinto que essa chuva é o reflexo do estado do meu corpo. E foi pensando nisso que me joguei pra cá, pra ver se quando eu te encontrar, eu faço essa chuva parar. Será que isso é possível? Eu sonhador demais, na entranha dor demais, essa estranha dor é mais do que saudade. É como uma necessidade, de poder ter a certeza que não era verdade, o que você disse por telefone, que tava na hora de eu te provar que podia ser o seu homem. Que um menino que nem pode sustentar um lar, unca seria bom o suficiente pra tu casar. Foi pensando nisso que eu entrei nesse busão, mas talvez eu seja só um menino com uma rosa na mão. E eu te ligo no celular, te avisando que eu to indo, e te pedindo, pra ir lá par me esperar, mas você, que nunca disse que me ama, mais uma vez desliga sem dizer se arruma e vai pra cama. Tudo bem, dorme bem amor, Te amo, quando acordar passa perfume que o seu homem ta chegando, vai. Me espera, tá? me espera...

A cada segundo a chuva aumenta, nessa poltrona, a cada minuto que eu durmo, eu acordo quarenta. Janela embaçada, tampando minha visão. Eu fecho os olhos e praticamente sinto sua respiração. É como o silêncio do meu quarto sem você. Culpa dessa distância que me impede de te ver. Me impede de provar que te mereço, e te mostrar que o dinheiro tá pouco, mas que a alegria não tem preço. E eu pensando em você nesse momento, aproveito o tempo, pra treinar o pedido de casamento. Depois da briga, acordei cedo, peguei toda economia e comprei a aliança em segredo. Juntei moeda por moeda, pra poder tá aqui. Pra mostrar que um menino pode te fazer sorrir. Te sentir mais uma vez, sentir por uma vez, que achar que eu sou teu sonho não é uma insensatez.

Mas pera aí, eu ouço um barulho, que que tá pegando. A aliança caiu do meu bolso, tudo balançando. Quem tá gritando? Por quê ta girando? Alguém sabe? Tento chamar seu nome, mas minha boca nem abre.

Barulho de chuva, pneu, escuridão.

Lembrar seu rosto se tornou a ultima opção. Agarro forte a rosa na lama. Menino ou homem vc me deixou partir sem dizer que me ama. Eu não pensei que fosse pra tão longe essa viagem. Toca o celular é vc me mandando mensagem. Eu preso nas ferragem sem me mexer.
Sei que vc me escreveu mas fecho os olhos sem saber o quê.

PROJOTA'